segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O exercício da noite

Se agora me esquecer, nada que a vista alcança
parecerá mudado. E a sombra, exata e móvel,
seguirá com sossego o caminho dos vivos.

A noite selará com minúcia meus olhos
e à cinza de meu rosto o mais agudo sonho
vestígio não trará dos derrotados mitos.

No meu dia seguinte encontrareis aquela
conseqüência de ser clarividente e pronta
- livre continuação dos destinos antigos.

(Ah, mas se eu te esquecer ficará pelo mundo,
morto e desnterrado, um vago prisioneiro,
entregue à dúbia lei dos seus cinco sentidos!

Amarga morte: suposta vida...)

(Cecília Meireles - Solombra)

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