terça-feira, 8 de abril de 2008

O exercício do ser

Eu digo é uma coisa:
Há um poema do Drummond que é concluído assim:
"Amor é privilégio de maduros"

Numa entrevista, o próprio poeta, após encerrar a leitura do poema, apressadamente trata de retificá-lo: diz que amor não é propriamente privilégio de maduros, mas que o amor é apurado na madureza, pois "quem não amou na infância, nem na aolescência, nem quando adulto, não merece amar na velhice".

De modos que: pra ser amado, meu menino, não é preciso o menor esforço, não, não é necessária a menor luta, é mera questão de boa ou má fortuna.
Mas, pra amar...
é mister toda a labuta, toda a firmeza de caráter, toda a rigidez de conduta, toda a disciplina! é preciso merecer!
Amar é pra poucos!
Nesse mundão tem mais gente milionária do que gente amante!

E, de fato, em geral, as pessoas amadas não merecem o amor que se lhe dedicam...
Mas, quem ama, esse sim, é porque merece amar.

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